Anúncios

Texto em português:

Eu gosto de escrever, quase tanto quanto pintar. Houve uma época que era o inverso.

Como artista plástica, eu preciso incluir minhas pinturas nos portfolios online para ser conhecida. Mais importante do que isso, essas plataformas são utilizadas por galerias do mundo inteiro para selecionar artistas independentes emergentes. E eu espero ser uma delas.

Eu confesso que estipular preço para minhas pinturas é sempre um conflito. Não é apenas sobre orçar gastos de materiais de pintura, mas precificar o seu valor enquanto artista.  Para além dessas questões, é sobretudo sobre determinar seu público-alvo, tratar seu produto como mercadoria, perceber o mundo capitalista e se jogar nele, ou não.

Acontece que a minha batalha pessoal é vender por vender. Vender para mostrar ao “mercado” que sou vendável, que eu me banco enquanto aquarelista, que eu tenho condições de ser comerciável. Isso tudo soa péssimo para mim.

Há pouco tempo, em uma exposição, outra artista me perguntou o preço de uma aquarela e eu levei um susto. Claro que eu tinha pensando que eu tinha que definir o preço de cada aquarela antes da exposição, mas acabei me preocupando com todos os outros detalhes e me esqueci desse. Para o espanto dela eu respondi: “não sei! Pensei nisso, mas não terminei de pensar”. Ela ainda em choque me disse: “você tem que vender, tem que ter preço”. Meu estômago revirou. Olhei em volta e me flagrei pensando que eu não queria que aquelas minhas aquarelas fossem de ninguém.

Na mesma noite, uma potencial cliente que fez a mesma pergunta, desta vez apontando para três quadros. E eu, sem piscar, respondi: “essas três são para acervo particular, não estão à venda”. A mulher pareceu assombrada, nem conseguiu responder nada. Ficou me olhando com cara de admiração. Deve ter pensando que eu sou ridícula ou coisa assim.

Você que me lê deve estar pensando que eu estou tentando me explicar, por vender o que eu vendo, ou por não vender. Não perco um minuto se quer do meu tempo pensando em vender. Essa é a verdade.

Minha ambição é muito além dessa questão. Eu quero que as pessoas vejam minhas aquarelas. Eu adoraria saber o impacto que minha pintura tem nas pessoas. Aqueles que eu recebo, são comentários muito envaidecedores, surpreendentes muitas vezes, e quase sempre, inesperados. Não pretendo compartilhá-los, uma vez que aqueles que fizeram, fizeram de maneira privada, não sou eu que vou publicá-los.

Eu me pego pensando se outros artistas são assim também. É duro vender? Eu me lembro tão bem do começo como aquarelista, quando me pediam para fazer aquarelas e eu ficava super feliz, e aceitava todas as encomendas: retratos, florais, paisagens, fachadas. Adorava entregar quadro vendido. Depois de um tempo, eu percebi que eu recusava parte das encomendas, por motivos diversos, e as aquarelas que eu produzia nas séries que mais representavam meus momentos pessoais, eram as mais difíceis de me desfazer. Algumas delas, com o passar do tempo, desapeguei. Mas tem uma parte que eu sei, no meu coração, que vão ficar comigo por onde quer que eu vá.

Imagino que esse é um custo a pagar, para artistas como eu. Ter menos arte vendida significa que eu tenho menos prestígio como etiqueta de venda. Também não quero ser rotulada como a aquarelista que produz, produz e produz, e nada mais acontece. Claro que eu quero ser apreciada artisticamente, quero encontrar meu nicho de mercado, quero ser reconhecida pelo meu trabalho, e quem sabe, ser valorizada pelo meu talento. No entanto, quero que quem compre meus quadros não queira apenas deixar a parede mais decorada. Quero que seja por uma pessoa que pense “quero uma aquarela da Edna. Da Edna Carla Stradioto”. E sempre que passar pela pintura, a adore, a veja, a leve para esse lugar possível da arte.

Sem hipocrisia e o menor constrangimento, falando sério e sem medo de ser mal interpretada, quero fazer parte do rol de quem faz arte. Quero definir ainda mais meu estilo, e ser reconhecida por ele. Quero ver aquarelas por toda a parte, em exposições e museus, e ser tratada com destaque entre as técnicas de pintura; quem sabe as minhas aquarelas entre elas…

O que eu ouço de desencorajamento sobre vender pintura é inumerável. É quase unânime “ninguém vende arte”, “depois que morre, se ficar famoso, vende”, “no Brasil, ninguém vive de arte”, “brasileiro não compra arte”, e por aí vai. Eu concordo para não entrar em discussão. Não vale a pena perder tempo com a opinião dos outros, e vamos ter que concordar, a maioria dos brasileiros se acha expert em todos os campos, em artes, então…

Mas porquê eu coloquei como imagem o meu portfolio com meus quadros à venda do site da Saatchi Art?

Como eu disse, esse site é um portal consultado por muitos curadores, galerias e compradores de arte.

Mas eu disse que não queria vender nesse esquema, né?

Verdade, o que eu quero com minha inclusão nesse tipo de plataforma é ser conhecida, vista e, quem sabe, selecionada por algum curador ou galeria.

O que eu ganharia com isso?

Ainda não sei. Ainda não cheguei lá. Eu só tenho um planejamento que vai se realizando aos poucos. Passo a passo, eu tenho tentando ter cada vez mais contato com pessoas da área, e muitas delas são atenciosas e me passam feed-backs importantes sobre o que eu devo fazer para ser incluída no rol de artistas emergentes. Estou tentando construir minha carreira, enfocando na comunicação com gente que tem o know-how certo, e que vai me ajudar a encontrar essas oportunidades. Se o que eu estou fazendo neste momento vai me levar aonde quero, eu ainda não sei. O que eu sei é que semeando hoje, eu colho amanhã. Se eu cheguei até esse ponto é porque eu andei plantando direito nos últimos anos. Ainda tenho muito o que caminhar, sou “nova” na carreira, não tenho experiência com renomados catálogos de arte. Portanto, esse texto vai ter que continuar em outra oportunidade.

E vale compartilhar esse assunto?

Vale. Tem muita gente por aí que tem vontade de direcionar a carreira e não sabe o que fazer. Eu aconselho: tente. Vá atrás. Siga seus instintos. O “não” todo mundo já tem.

 

English version:

I like writing, almost as much as painting. There was a time that was the inverse.

As a artist, I need to include my paintings in the online portfolios to be known. More importantly, these platforms are used by galleries around the world to select emerging independent artists. And I hope to be one of them.

I confess that stipulating price for my paintings is always a conflict. It’s not just about budgeting for paint materials but pricing my value as an artist. Beyond these questions, it is above all about determining your target audience, treating your product as a commodity, perceiving the capitalist world and whether to play it or not.
My personal battle is to sell for sale. Selling to show the “market” that I am salable, that I seat myself as a watercolorist, that I am able to be marketable. This all sounds awful to me.

Not long ago, in an exhibition, another artist asked me the price of one of my exhibited watercolors and I was scared. Of course, I had thought that I had to set the price of each watercolor before the vernissage, but I ended up worrying about all the other details and forgot about that. To her amazement I replied, “I do not know! I thought about it, but I did not finish thinking about it”. She still in shock told me: “you have to sell, it has to have price”. My stomach churned. I looked around and found myself thinking I did not want my watercolors to be anyone’s.
The same evening, a potential client asked the same question, this time pointing to three paintings. And I, without blinking, answered: “these three are for private collection, not for sale.” The woman looked haunted, unable to answer anything. He stared at me with a look of admiration.

You must have thought I am ridiculous or something. You who read me must be thinking that I’m trying to explain myself, by selling what I sell, or by not selling. I do not waste a minute of my time, if you wanna know, thinking of selling. That’s the truth. My ambition goes far beyond that. I want people to see my watercolors. I would love to know the impact my painting has on people. Those I receive are very envaitricant (word exists?), often surprising, and often, unexpected comments. I do not intend to share them, since those who have done, did it privately.
I find myself wondering if other artists are like that, too. Is it hard to sell?

I remember as well from the beginning as a watercolor artist, when people asked me to make watercolors and I was super happy, and accepted all the commissions: portraits, floral, landscapes, facades. I loved to deliver a painted sold. After a while, I realized that I refused part of the commissions, for various reasons, and the watercolors I produced that best represented my personal moments were the hardest to undo. Some of them, over time, I let go. But there’s a part of them that I know, in my heart, that will stay with me wherever I go.

I imagine that’s a cost to pay, for artists like me. Having less art sold means that I have less prestige as a sales tag. I also do not want to be labeled as the watercolor artist who produces, produces, and produces, and nothing else happens. Of course, I want to be appreciated artistically, I want to find my niche market, I want to be recognized for my work, and who knows, to be valued for my talent. However, I want anyone who buys my paintings not to just leave the wall more decorated. I want it to be a person who thinks, “I want Edna Carla Stradioto’s watercolor.” And whenever one goes through it painting, adore it, see it, take it to this possible place that just art is possible to take.

Without hypocrisy and the least embarrassment, seriously speaking and without fear of being misinterpreted, I want to be part of the role of those who make art. I want to define my style even more, and be recognized by it. I want to see watercolors everywhere, in exhibitions and museums, and be treated with prominence among painting techniques; who knows my watercolors among them …
What I hear of discouragement about selling paintings is innumerable. It is almost unanimous “nobody sells art”, “after painter dies, if he gets famous, sells”, “in Brazil, nobody lives by art”, “Brazilian does not buy art”, and so on. I agree not to enter into discussion. Not worth wasting time with the opinion of others, and we’ll have to agree, most Brazilians think they are experts in all fields, especially in arts.

But why did I put my portfolio with my paintings for sale on the Saatchi Art website as an image of this post?

As I said, this site is a portal consulted by many curators, galleries and art buyers.

But I said I did not want to sell on this scheme, right?

True, what I want with my inclusion in this type of platform is to be known, seen and, perhaps, selected by some curator or gallery.

Where will this lead me?

Still do not know. I have not gotten there yet. I only have one planning that is going on slowly. Step by step, I’ve been trying to get more and more in touch with people in the area, and many of them are thoughtful and give me important feed-backs on what I should do to be included in the role of emerging artists. I’m trying to build my career, focusing on communicating with people who have the right know-how, and who will help me find those opportunities. If what I’m doing right now is going to take me where I want to, I still do not know. What I do know is that sowing today, I harvest tomorrow. If I got to that point it’s because I’ve been planting it right in the last few years. I still have a lot to walk, I am “new” in my career, I have no experience with renowned art catalogs. Therefore, this text will have to continue at another opportunity.

Is it worth sharing this subject?

Yeap. There are a lot of people out there that have a desire to direct their careers and do not know what to do. I advise: try. Go back. Follow your instincts. “No” everyone already has.

 

Captura de Tela 2018-07-11 às 10.50.03.png

 

Anúncios

2 comments

  1. Olá Edna! Adorei o que você escreveu e realmente, o não todos já temos, precisamos buscar sempre! Gostaria de saber mais sobre a sua experiência em vender seu trabalho na saatchi..Agradeço desde já!

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: